Safena magna e parva: diferenças, sintomas e quando tratar

Você sabia que existem duas veias safenas principais? A safena magna e a safena parva são veias que fazem parte do sistema venoso superficial das pernas e, embora trabalhem juntas para ajudar o sangue a retornar ao coração, elas têm percursos, funções e comportamentos bastante diferentes

Entender essas diferenças pode ajudar a compreender por que algumas pessoas desenvolvem varizes em certas regiões das pernas, por que alguns sintomas aparecem em locais específicos — e, principalmente, quando é indicado buscar avaliação médica.

Neste texto, vou explicar de forma clara o que cada uma dessas veias faz, o que pode acontecer quando elas deixam de funcionar bem e quais são as opções de cuidado disponíveis hoje.

Diferenças anatômicas entre safena magna e parva

Para saber o que pode acontecer com essas veias, é necessário entender onde cada uma fica e qual caminho ela percorre no corpo.

A safena magna é a maior veia superficial do corpo humano. Ela começa na região interna do pé e sobe pela face medial da perna — ou seja, pela parte de dentro — passando pelo joelho e pela coxa, até chegar à virilha, onde desemboca na veia femoral, uma das principais veias profundas do sistema circulatório.

Já a safena parva tem um trajeto menor e mais localizado. Ela se inicia na região lateral do pé, na altura do tornozelo, e sobe pela parte posterior da perna — parte de trás, próxima à panturrilha — até alcançar o joelho, onde costuma se conectar à veia poplítea, outra veia do sistema profundo.

Dessa forma, a safena magna cuida de um percurso longo, do pé à virilha, pelo lado interno, e a safena parva percorre um caminho mais curto, do tornozelo ao joelho, pela parte posterior da perna.

Essa diferença explica, em grande parte, onde as varizes tendem a aparecer quando cada uma dessas veias começa a apresentar algum problema.

Válvulas venosas: o que são e como o refluxo pode afetar a saúde das pernas

Dentro das veias, existem as válvulas venosas, que funcionam como comportas: abrem para deixar o sangue subir em direção ao coração e fecham para impedir que ele desça de volta.

Quando essas válvulas perdem a capacidade de fechar corretamente, o sangue pode refluir — ou seja, escorrer no sentido errado, de cima para baixo. Esse processo é chamado de refluxo venoso, e ele é uma das principais causas do surgimento de varizes.

Com o acúmulo de sangue nas veias superficiais, a pressão dentro desses vasos aumenta. Com o tempo, essa pressão elevada pode fazer com que as paredes das veias se dilatem e percam a forma, formando as varizes que ficam visíveis sob a pele.

Além do aspecto estético, esse processo pode trazer sintomas que afetam o dia a dia:

  • Dor e sensação de peso nas pernas: costuma ocorrer ao final do dia ou após longos períodos em pé.
  • Edema (inchaço): acontece quando o acúmulo de pressão faz com que líquido passe para os tecidos ao redor dos vasos.
  • Queimação ou formigamento: sensações que podem aparecer ao longo do trajeto das veias comprometidas.

É importante saber que nem toda variz causa dor, e nem toda dor nas pernas vem das varizes. Por isso, uma avaliação cuidadosa ajuda a entender a real origem dos sintomas e a indicar o caminho mais adequado para cada caso.

Ablação da safena: quando o tratamento pode ser indicado

Quando o refluxo venoso persiste por um longo período sem acompanhamento, as varizes podem evoluir e trazer complicações mais sérias. É nesse contexto que a ablação da safena pode ser indicada após uma avaliação clínica, sendo necessário um exame de imagem, como o Doppler venoso, por exemplo.

A ablação é um procedimento minimamente invasivo que tem como objetivo fechar a veia safena comprometida, fazendo com que a veia doente deixe de receber o fluxo e redirecione o sangue para as veias saudáveis. 

Ela pode ser realizada por diferentes técnicas — por laser, por radiofrequência ou por cola biológica — e a escolha da melhor abordagem depende de uma avaliação individualizada.

Um sinal de atenção é o surgimento de uma condição chamada tromboflebite superficial. Essa condição ocorre quando uma veia superficial — como a própria safena — fica inflamada e forma um pequeno coágulo em seu interior.

A região costuma ficar avermelhada, quente e dolorida ao toque, e, dependendo da avaliação médica, pode ser um sinal de que o sistema venoso está sobrecarregado.

É comum que as pessoas confundam tromboflebite superficial com trombose venosa profunda (TVP) — e entender a diferença entre elas é importante.

A TVP é uma condição mais grave, que afeta as veias profundas do sistema circulatório. Nesses casos, o coágulo se forma em veias que ficam mais distantes da superfície da pele, como a veia femoral ou a poplítea. 

Ela pode causar inchaço importante, dor intensa e, em situações mais sérias, o coágulo pode se deslocar e atingir os pulmões, podendo causar uma embolia pulmonar.

Por isso, qualquer sinal de dor, vermelhidão, calor ou inchaço nas pernas merece avaliação médica. Diferenciar essas duas condições com precisão é fundamental para definir o tratamento correto e evitar complicações.

O sistema profundo compensa a retirada da safena

Essa é uma dúvida muito comum — e entendê-la ajuda a compreender por que o tratamento da safena pode ser realizado com segurança quando bem indicado.

O sistema venoso das pernas é dividido em duas redes: a superficial, onde estão as safenas, e a profunda, formada por veias de maior calibre que ficam entre os músculos.

Em condições normais, o retorno venoso acontece pelas veias profundas — o que significa que, ao tratar a safena comprometida, o organismo tende a se adaptar bem, mantendo a circulação equilibrada.

Se você sente desconforto nas pernas ou tem dúvidas sobre varizes e safena, estou aqui para te ajudar. 

O cirurgião vascular, Dr. Fábio Rocha segue os princípios da Slow Medicine — escuta ativa, cuidado individualizado e decisões tomadas juntos, para escolher o melhor tratamento para a sua safena.

Agende a sua consulta e tenha uma avaliação individualizada com foco na sua segurança e cuidado.

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